O projecto La Speciosa nasce da convergência entre a imersão no vinho do Ricardo desde o tempo balbuciante do bar dos Goliardos da Mãe d’água, onde ele servia juntamente com a tosca Clelia vinhos sobrenaturais a um público virgem curioso, e a sua ligação forte com a terra do planalto mirandês. Despertou na Especiosa um património de vinhas velhas que estavam adormecidas por falta de interesse, mas ainda cultivadas e cuidadas por uma série de agricultores castiços da zona como o Zé Claudino, o António, o Magro, o Nascimento, o Terita, o Belmiro, o Catrino, o Aquilino, o Manolo, a Isilda e a Ilda ao pé do miradouro do Douro em Miranda. Chef d’orquestra de várias mini parcelas e animador de uma cooperativa qualitativa de garagem na cave da casa familiar, Ricardo captou como um fotógrafo a essência dessas vinhas e deu um futuro ao fruto dessa terra onde as castas Tinta gorda, Bastardo, Malvasia, Verdelho são as mais plantadas, além de outras cepas muito velhas por identificar. Os solos das vinhas na especiosa são todos parecidos, muita pedra sedimentar, quartzos e granito e pendentes elevadas. Na Resbarina em miranda é típico solo granítico junto ao rio. O património de vinhas com mais de 50 anos e centenárias é impressionante e nessa altitude entre 800 e 900 metros em solos graníticos, o ciclo de maturação lento e tardio, com a sanidade das uvas que dispensa muitas vezes os tratamentos, proporcionam vinhos gulosos e aéreos. Com o seu rigor técnico e a sua habilidade manual de engenheiro de formação, e após domar o lado impetuoso dessa terra rija, Alvesoğlu consegue imprimir carácter e expressividade aos vinhos que já falam mirandês, e deixam os “Menina d’Uva” menos isolados.
La Speciosa
Ricardo Alves
Planalto Mirandês